Le Lunet


Nothing really blue
Segunda-feira, 6/04/09, 16:05
Arquivado em: Cotidiano

Este é o meu apartamento. A planta-baixa com um desenho esquemático dos pontos-cegos que calculei por uma espécie de contra-prisma do apartamento do George.

planta baixa do meu apartamento

Você pode ter uma idéia de como é a minha casa também. Tudo que está hachurado em vermelho são os meus pontos de segurança que ele não consegue observar.

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Depois do que aconteceu, resolvi dar um tempo com esse negócio de voyeurismo. Senti-me trapaceada. Trapaceada por mim mesmo, vai entender. Um ciúme ferrenho, desses de namorado que se sente inseguro com a própria cantada.

Talvez eu não tenha percebido que a situação poderia ser a mais coincidente possível, justamente com quem eu observo. Pareceu uma ressaca moral, mas resolvi relutar e continuar minhas investidas.

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Montei o croqui acima em um sábado cedo, utilizando um fator interessante: o sol estava logo acima do prédio do George, o que fez projetar os raios solares por entre os cômodos da minha casa. Com todas as janelas abertas, peguei um pedaço de giz de costura e fui pontilhando a divisa entre luz e sombra que me era visível. Foi um avanço técnico, porque senti-me tranquila em ter “pontos seguros” dentro da minha casa.

Não quero fechar todas as janelas nem cortinas. Quero continuar meu serviço de espionagem pessoal, rever conceitos e técnicas. Mais importante: não quero parecer observada.

Mudei algumas rotinas da minha vida pessoal. Não posso mais passar correndo sem roupas apropriadas até a lavanderia, depois de um banho. Não tenho mais o hábito de montar sanduíches de biscoitos cream cracker com os mas variados e estranhos recheios. Andar com a toalha na cabeça ou com uma mascara verde acetinada com pepinos imaginários? No more, babe.

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Continuo a observá-lo, agora mais com o sistema complexo de personal broadcasting televisivo do que olhando diretamente no ocular da luneta.

Ele me observa. Percebi que gasta mais tempo que o usual nos dias que antecedem finais de semana. Talvez seja a carência afetiva dos happy hour ou baladas mesmo, vai saber. Ele gasta uma hora do seu dia me observando. Quando eu estou inspirada e resolvo instigá-lo, fica duas, três horas com aquele binóculo das lentes laranjas.

Sim, sou má.

Mas o jogo é delicioso e não tenho nem como descrever um pouquinho da sensação de perceber-se observada, mesmo sabendo que está trapaceando. Aliás, sou trapaceira, sim. 

Mas a sorte favorece aos preparados, não é mesmo?


2 Comentários até o momento
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Ah, que você come biscoitos como o Vitor Navorski? =O
Agora não mais, hahaha!

Comentário por Celia

Auehuaehuea que divertido que isso deve ser !

Comentário por O Último Romance




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