Le Lunet


On the Turning away
Terça-feira, 9/06/09, 13:16
Arquivado em: Cotidiano

Vocês já perceberam que a frequência de escrita neste diário é totalmente inconstante. Ainda não consegui manter a disciplina da escrita rotineira, uma vez que minha vida é cheia de altos e baixos intensos. 

Aliás, este ano está completamente inédito e sem repetições algumas, padrões novos e aventuras interessantíssimas. 

Mas não vim falar da minha vida pessoal.

Vim falar do meu garoto-objeto-novo-voyeur. George criou uma rotina nova em sua vida. Nestes últimos tempos em que ele começou a percorrer janelinhas com seu binóculo das lentes laranja, eu percebi que ele selecionou alguns hotspots preferidos. Acho que a vizinha de uns quatro andares é um dos seus alvos frequentes. Uma loira formidável, torneada e de voz insuportável.

Ele sempre mira na minha janela, mesmo quando tudo está apagado. Descobri isso pela posição em que ele se prosta para me observar, e pelo fato de apagar as luzes do seu loft quando trava contato visual do meu semblante saracotiando pelo apartamento.

Acho que nunca falei de mim mesma com mais afinco, então cada um deve me esteriotipar de maneiras diferentes.

Sou loira natural, cabelo trigo bem escuro. Mas que não retorna às origens cromáticas há tempos. Meu cabelo é um camaleão e nunca fica mais do que algumas semanas com a mesma cor;

Tenho 1,79m. corpo curvelíneo à compasso, distribuídos em 62kg;

Olhos que, honestamente não sei se são verdes ou azuies. Tipo praia do nordeste;

Uma cicatriz estranha na minha coxa esquerda, pequeninas cicatrizes nas mãos, um resquicio de cicatriz na sombrancelha esquerda, todas lembranças de que tive uma infância agitada;

Branquela, daquelas que se vê as veias riscadas sob a pele. E juro que tento pegar uma cor, mas acho que tenho melanina-teflon;

Rosto angelical. Espirito malvado. Semblante heróico.

Pronto. Já sabem como sou. Na mira de um binóculo esse conjunto chama muito a atenção. 

Ainda mais quando resolvo sacanear e passear menos pudorenta pela penumbra de uma luz indireta da sala. 

É cruel, eu sei. Mas é uma forma inteligente de persuadir aquelas lentes laranjas que tanto me fascinam…