Le Lunet


Eine Kleine Nachtmusik
Terça-feira, 4/08/09, 15:40
Arquivado em: Cotidiano

Faz quase um ano que eu observo o George.  Aconteceu muita coisa nesse período. Foi uma experiência maravilhosa e excitante. E por isso mesmo resolvi mudar um pouco minha estratégia voyeurística.

Nestes últimos dias resolvi testar a rapidez e o improviso do George. Foi um tiro longo e perigoso, que talvez custasse, para sempre, a minha observância secreta.

Esperei pacientemente uma noite em que ele passeasse as lentes alaranjadas pela vizinhança, antes de pairar sobre meu apartamento. Ultimamente ele deixou um pouco de zanzar por outras janelas, o que me fez esperar um bocado para colocar em prática meu plano.

Foram uns dois dias longe do contato visual das lentes dele. Isso o fez retomar a atenção para outras cercanias ao meu redor. No terceiro dia acendi uma luz de penumbra na sala e me coloquei com um binóculo bem vagabundo na sacada, mirando para seu loft.

O binóculo era muito ruinzinho! Eu mal conseguia o ver na escuridão. Fiquei estática com o olhar direcionado claramente para um prédio ao lado, espiando sorrateiramente a TV para ver quando as lentes do George parariam em mim.

Foi bem uns cinco minutos de espera quando ele mirou minha janela. Acho que ele levou um susto, pois deu um pulo igual gato quando vê assombração. Deu para ver nitidamente na TV quando ele ajustou e reajustou o foco do binóculos para confirmar o susto.

Virei lentamente para a direção dele e parei. Ele nem respirava! Foi muito interessante, parecia uma estátua!

Levantei o braço e dei um tchau. Ele não respondeu. Apontei o indicador para ele e novamente acenei. Ele acenou rapidamente e saiu à francesa, meio atônito, meio pasmo.

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Eu fiquei muito preocupada nos dias seguintes. George deixou o loft dele com as cortinas fechadas por uma semana.

Até que um dia desses ele apareceu novamente. Fixou seu binóculo em minha varanda por um tempão. A parte interessante agora era a metodologia por ele aplicada: abriu levemente a cortina, um espaço de não mais do que meio metro; subiu para o andar superior, entrou embaixo do edredom da cama e, em uma espécie de cabaninha que meninos sempre fizeram, montou campana para me observar.

Juro que foi difícil reconhecer essa técnica dele! Talvez ele já tivesse me tocaiado assim nesta semana que passou e eu nem percebi!

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Fiquei muito feliz em saber que não o espantei. Acho que a técnica funcionou perfeitamente. Agora vou por em prática os outros planos que tenho para o testar.

Esperem notícias ;)